A impermanência de Maya e a eternização do Yoga – Thais Galliac

A constante transformação da realidade aparente, Maya, revela que esta é feita de ciclos. Hoje estamos vestindo uma moda, amanhã já será outra. Em um momento, temos uma prática e uma intenção sobre ela, no momento seguinte já mudamos o foco. Quando está frio, desejamos o calor, e quando esquenta, sentimos falta do frio.

Como a mente, tudo é impermanente e oscila o tempo todo, por conta dos gunas, que são os responsáveis pelos movimentos da natureza, da vida. Como uma árvore, somos cultivados, germinando e brotando e crescendo e florescendo, para então nos desintegrarmos e morrermos. Em Maya, as experiências terminam, as intensidades mudam – portanto são limitadas – sendo tudo uma manifestação de algo Não-Manifesto, Intangível e Ilimitado.

E dependendo da maneira como nos relacionamos com as coisas, despertaremos nelas potencialidades ou inabilidades, que determinarão, porventura, a forma como se desenvolverão. Por isso, acredito que com o Yoga também aconteça assim, já que ele é uma visão que nos oferece ferramentas e recursos tangíveis e, portanto, sujeitos a manipulações e interpretações de toda ordem.

Porém, devido a sua magnificência e propriedade com relação ao tema que aborda – o Ser Supremo, responsável pela existência de tudo que conhecemos como realidade e, inclusive, do que não conhecemos, pois Ele tudo É -, o Yoga não corre o risco de se perder no tempo e no espaço, nessa ilusão e superficialidade do mundo e sua globalização e padronização.

Além disso, há aqueles que permanecem inconscientes e iludidos, fazendo da prática do Yoga um meio para satisfazer seus próprios desejos, através do egoísmo, da vaidade e da violência.

Mas, ao mesmo tempo, existem aqueles outros que foram tocados pelo seu verdadeiro propósito e que reconhecem, através de seus dharmas, a capacidade de aprimorarem seus papéis – mesmo reconhecendo que, verdadeiramente, não os são – , de olharem para o bem comum e, com isso, de manterem preservada a mensagem desta senda, passando-a para frente com o devido cuidado, respeito e consciência.

Por se tratar do que É, da presença viva, da origem de tudo, o Yoga se mantém imaculado e cada vez mais potente e radiante para esses que absorveram com propriedade seus ensinamentos e práticas, aplicando-os e transmitindo-os com integridade e humildade à outras pessoas.

Thais Galliac
Instrutora do Yoga

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